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Segunda, 6 de Setembro de 2010
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Aconteceu: 'Escola de Música da Rocinha voa longe'
Paulo Vitor (violão), Carlos (cavaquinho e voz), Carla (flauta transversa), Diego (pandeiro) e Renato (bandolim e voz) embarcam para a Alemanha em setembro. "Chorando à toa" vai se apresentar em 27 cidades na Alemanha. Projeto completou 15 anos.
Aconteceu: Escola de Música da Rocinha voa longeEstão ansiosos. É a primeira vez que os jovens músicos, moradores da Rocinha, saem do Brasil, e vão logo se apresentar em 27 cidades. Integrantes do grupo Chorando à Toa, vêm de famílias pobres e passaram os últimos anos aprendendo a tocar seus instrumentos na escola de música da favela. Hoje são músicos profissionais, mas continuam fazendo aulas no projeto, que no mês passado completou quinze anos. A flautista Carla está lá desde os dez anos.

Tem 24 e já passou, graças ao que aprendeu nas aulas, pela orquestra do projeto Villa-Lobinhos (recentemente objeto do documentário "Contratempo", dirigido por Malu Mader) e pela Pró-Arte. A flautista entrou no projeto por acaso: fazia curso de teatro e uma colega comentou que estava tendo lições de flauta. "Foi só assistir uma vez que troquei o teatro pela música", lembra Carla, estudante do segundo período de Pedagogia. Ela quer se formar professora de música. Já é, como os companheiros de grupo, monitora da escola. A mãe, doméstica, é só orgulho. "Ela contou para todo mundo que conhece sobre a viagem!" A Escola de Música da Rocinha (www.emrocinha.org.br) surgiu num espaço emprestado de uma igreja, com apenas 14 alunos (em 11 anos, o número chegou a 450).

O fundador foi o professor de música alemão Hans Ulrich Koch. Ele morava no Rio e lecionava para alunos ricos da zona sul. Impressionado com as diferenças sociais ao seu redor, resolveu dar chance também a quem não podia pagar - caso de Paulo Vitor, de mãe doméstica e padrasto vigia, e de Carlos, que antes de tocar era balconista de padaria Tudo o que esses jovens aprenderam sobre música foi na escola. Sem ela, os caminhos percorridos seriam muito diferentes "Nunca poderia pagar aula de violão; é um luxo", diz Paulo Vitor. "Eu achava que choro era música de velho, só ouvia pagode", recorda-se Diego. Koch voltou para a Alemanha quatro anos depois de implantado o projeto, mas continua acompanhando tudo de longe. Em 2003, alinhavou uma turnê de 25 shows para uma das bandas formadas entre os alunos, que tocava ritmos bem brasileiros, como frevo, baião e bossa nova, e chegou a gravar dois CDs, um lançado no Brasil com repertório e participação de João Bosco e outro na Alemanha.

Agora, fez o mesmo pelo Chorando à Toa, que interpreta choros clássicos, de Joaquim Callado a Jacob do Bandolim, e também composições próprias. O sonho do primeiro CD deve virar realidade em breve. "Eu fico muito orgulhoso. Eles começaram do nada e atingiram um grau de profissionalismo grande. É uma vitória", celebra o alemão, que, por outro lado, se ressente do fato de não ter conseguido manter um patrocínio contínuo para o projeto. Nos últimos dois anos, a escola contou com apoio do Criança Esperança. Em outros momentos, teve ajuda de patrocinadores alemães, da Petrobras e da Tim.

A prefeitura do Rio colabora cedendo um andar no prédio municipal que fica em frente à Rocinha, onde ocorrem as aulas. Mas é difícil continuar quando todos têm de trabalhar de graça - os salários de monitores, professores e funcionários administrativos não são pagos desde maio. "Sem dinheiro, o projeto acaba, é como oxigênio. As pessoas não vão conseguir sustentar esse voluntariado por tanto tempo", explica Gilberto Figueiredo, coordenador da escola. Por enquanto, as aulas gratuitas de violão, cavaquinho, flauta, piano e canto coral se mantêm, ainda que com a carga horária reduzida. Os instrumentos não são problema, porque foram adquiridos no tempo do patrocínio. Só se aceitam alunos de Rocinha, dos 7 aos 16 anos. A lista de espera tem cerca de 200 pessoas.(AE) Visite o site do projeto www.emrocinha.org.br



FOTO: Grupo Chorando á Toa na passarela da Rocinha - Leonardo Aversa - O Globo


Fonte: Vida Universitária
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