Arquivo da Categoria ‘CRÔNICAS DA FAVELA’

CONTRARIANDO AS ESTATÍSTICAS

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Crônica de um campeão tricolor
cornetandoContrariando as estatísticas, sou nascido e criado na maior favela do Brasil e nem por isso sucumbi a essa deficiência social. Sobrevivi. Ao contrário de grande parte de meus amigos do álbum de escola.

Contrariando as estatísticas, sou carioca da Praça 11 e nasci branco, loiro e de olhos azuis, numa comunidade de nordestinos, portanto, passei longe da sanfona e logo me tornei sambista.

Contrariando as estatísticas, sou filho de um flamenguista roxo, que me deu o nome em homenagem a um meio-campista do Bangu que arrasou com o Flamengo na decisão do campeonato carioca de 1966; mas num rompante supremo de personalidade precoce, me (mais…)

BUZUNGA, ‘DE GANDULA DO CAMPINHO’ AO MITO

segunda-feira, 3 de maio de 2010
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Barracos da Rocinha nos anos 80

“Nem precisa ser muito antigo de Rocinha para conhecer as histórias mirabolantes de uma época em que Buzunga, Naldo, Bolado, Cassiano e Brasileirinho,  eram os personagens mais emblemáticos da maior favela. E quem nunca ouviu falar de Buzunga e a sua inseparável ‘Jovelina’?”

Jovelina, era uma submetralhadora Uzi,  preta, que segundo a lenda, cantava e cuspia  fogo, numa época em que o antigo trezoitão e a 45 ainda eram armas de combate. Buzunga, anti-herói do reino de Deus, mas um graduado no reino de Dênis, era um cria muito conhecido, e fez parte do primeiro escalão da bandidagem da Rua Dois. Operação Mosaico, fliperama, rajadas na laje, um bandido mirim. Não falo nada que já não tivesse repercutido no mundo inteiro. A Rocinha se notabilizou na mídia mundial com esses temas. Se tornou conhecida internacionalmente assim, e tudo ainda numa época bem mais romântica da favela, se é que ainda podemos dizer assim.

Não gosto de falar desse tema nas dependências de Rocinha.org, mas, essa categoria, o ‘Cronista da Favela’, faz parte de um acervo de memórias que pretendo futuramente transformar em um livro. Memórias de quem passou uma vida inteira na Rocinha e viu de tudo. Um relato honesto e sincero de quem jamais (mais…)

A ROCINHA, O RIO, O BRASIL E O MUNDO EM 1971

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

DATA DA POSTAGEM ORIGINAL: 26/06/2009

Navegando na rede mundial de computadores me deparei com algumas fotos da favela da Rocinha do início da década de 70, mais precisamente no ano de 1971 (veja as fotos). As fotos são do livro “Favelas Cariocas 1970″ que tem 230 páginas e 250 fotos no formato 24×24 cm numa tiragem de 2.000 exemplares.

O projeto anunciado na internet visa realizar uma exposição fotográfica que irá mostrar como algumas comunidades (Favela da Maré, Favela da Rocinha, Favela do Morro São João / Morro do Encontro e Favela da Catacumba na Lagoa Rodrigo de Freitas) evoluíram nestes quase 40 anos. Fazer um contraponto com registros fotográficos feitos hoje, nos mesmos locais, e mostrar as modificações por que estas comunidades passaram é o objetivo do fotógrafo Fernando Bergamaschi, autor do livro que foi prefaciado pelo historiador professor Décio Freitas. Não tenho idéia se é possível cumprir os objetivos porque alguns lugares nem existem mais, e se existirem, como reconhecê-los? mas, as fotos antigas me remeteram á um tempo distante, de uma Rocinha bem diferente, bem mais carente e bem mais romântica. Esse video postado acima é um documento importante de uma época difícil. Em 1971, morando num barraco de madeira na subida do Atalho (onde hoje é a (mais…)