CONTRARIANDO AS ESTATÍSTICAS

Crônica de um campeão tricolor
cornetandoContrariando as estatísticas, sou nascido e criado na maior favela do Brasil e nem por isso sucumbi a essa deficiência social. Sobrevivi. Ao contrário de grande parte de meus amigos do álbum de escola.

Contrariando as estatísticas, sou carioca da Praça 11 e nasci branco, loiro e de olhos azuis, numa comunidade de nordestinos, portanto, passei longe da sanfona e logo me tornei sambista.

Contrariando as estatísticas, sou filho de um flamenguista roxo, que me deu o nome em homenagem a um meio-campista do Bangu que arrasou com o Flamengo na decisão do campeonato carioca de 1966; mas num rompante supremo de personalidade precoce, me tornei torcedor do Fluminense.

Contrariando as estatísticas, sou um tricolor que já vestiu a camisa do Flamengo, mas  nunca aprendi a amá-lo. Talvez a única vez que desrespeitei meu velho pai ainda muito menino. Futebol é uma paixão incógnita, que não se instrui, controla ou prevê. Sou uma prova disso.

Contrariando as estatísticas, diferente de parte da torcida calejada pelo sofrimento, há tempos venho nutrindo a certeza absoluta desse título. Tinha 18 anos em 1984 e senti a mesmíssima energia daquela época, a energia de ser campeão incontestável.

Contrariando as estatísticas, me chamo Ocimar Almeida e me sinto devoto do Sobrenatural (também de Almeida) tão decantado por Nelson Rodrigues. O fato, é que ao contrário do mito e das crônicas esportivas, eu acredito cegamente na sua existência…

Contrariando as estatísticas, não acho que o Flu seja um ‘time de guerreiros’, mas sim, um guerreiro que hoje tem um time. O Fluminense não tem torcedores, tem seguidores e fiéis; amá-lo não é torcer, é ter uma religião. Não existe um conglomerado humano, simbiótico, tão apaixonado e excitante, tão lindo, como este que veste verde, branco e grená.

Contrariando as estatísticas, o que mais me fascina no Nense, é mesmo o calor dessa fantástica torcida. Os times passam, ela não. Não aprecio quantidade, e sim, qualidade; nesse caso, pouco importa a quantidade de amantes mas sim a qualidade suprema e absoluta do amor, por isso eu sou tricolor.

Contrariando todas as estatísticas, eu sou um brasileiro que ás vezes desiste, sou um carioca que gosta de trabalho, e um mundano que acredita muito em Deus. E o mais incrível ainda: hoje eu amo um argentino…

Fluminense eterno amor. orgulho de ser tricolor.

Ocimar Santos

ROÇA FLU - Fluminense campeão brasileiro/2010.  Último jogo. Festa na Pizza Lit - Rocinha, em 05/12/10. Foto: Val DiOlyvera

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2 comentários para “CONTRARIANDO AS ESTATÍSTICAS”

  1. Ocimar, quero te parabenizar pelas coisas boas que você vem desenvolvendo dentro da comunidade Rocinha, desejo que DEUS ilumine sempre o seu coração para você continuar com essa força enorme que você tem, para nunca dezistir. E que esses jovens seguem esse teu exemplo maravilhoso.

  2. GouldDenise21 disse:

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