
Leonardo Rodrigues, o Léo, presidente da UPMMR, fez discurso emblemático e conquistou a simpatia do presidente. Foto: Ocimar Santos
Discursos comoventes, sinceros e descontraídos aconteceram na visita de Lula á Rocinha na inauguração de parte das Obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). O prefeito Eduardo Paes fez questão de rasgar elogios ao governador Sérgio Cabral, que agradecia afirmativamente com a cabeça e sussurrava: "Muito obrigado, muito obrigado..." A atitude do prefeito serviu para sufocar qualquer burburinho com relação a algumas notícias que apontavam para uma possível rachadura da dupla dinâmica do Rio. A fofoca maliciosa apontava para divergências com relação aos preparativos para o Rio 2016.
O discurso de Cabral foi retrospectivo e intenso. Ele fez questão de contar a história do PAC na favela desde o início, e foi político ao mencionar as presenças de William de Oliveira e do Vereador Claudinho, oponentes na política interna comunitária. Sérgio Cabral discursou como um forte, como quem sabe o que diz, com muita propriedade e embasamento.
Já Dilma, investiu no forte apelo do Dia Internacional da Mulher e homenageou as mulheres presentes, principalmente as moradoras da Rocinha, que ela chamou de guerreiras da favela. A ministra fez discurso pausado e conciso e agradou aos presentes, que a ovacionaram. Dilma passa credibilidade, mas deveria absorver um pouco mais do carisma que sobra do presidente.
Pezão, o vice governador, carismático, mandou o seu recado dizendo nunca ter visto em 26 anos de política, algo parecido. Luiz Fernando Pezão é uma unanimidade, um querido de todos. Ele, que é também Secretário de Obras, tratou de dar explicações sobre o motivo do atraso da conclusão das obras na Rocinha e enalteceu a importância do engenheiro Ícaro Moreno, presidente da Empresa de Obras Públicas (EMOP).
Num ambiente em que o presidente Lula mais uma vez falou a linguagen do povo, emocionando, e enchendo as pessoas de esperança, parecia que ninguém se incomodava com o forte calor e o atraso da cerimônia. Ter um líder maior, que veio do povo, que entende o povo, e que fala o que o povo precisa ouvir, parece até algo distante, se a gente não se conscientizar que é verdade. Parece um sonho... Centro Esportivo, Hospital 24 Horas (que leva o nome de uma moradora da Rocinha, mãe do advogado Valdemir, o Cuca da Assessoria Comunitária). Os três poderes, encantaram o povo presente.
Mas, o que mais chamou a atenção desse modesto Portal, foi o discurso acalorado de Leonardo Rodrigues, o Léo, atual presidente da Associação de Moradores da Rocinha (UPMMR). Léo, começou um pouco nervoso e confuso ao microfone, mas, de uma hora para outra incorporou o típico personagem nordestino, o verdadeiro representante dos excluídos, e com postura de líder, caracterizou com simplicidade a essência do povo da Rocinha, agradando não só ao presidente como a todos os demais. Com sua costumeira irreverência, Léo, que falou inúmeras vezes a palavra "presidente", sugeriu que Lula tinha a cabeça chata porque tomava cucuruco (cascudo) do irmão, e ainda, disse que naquela época, no início, Lula só bebia o suco mais barato do Nordeste (fazendo alusão á falta de dinheiro, em São Paulo). O depoimento arrancou risos do ex-metalúrgico que virou presidente. Ao final da fala, o presidente da Associação de Moradores da Rocinha foi chamado pelo presidente Lula, que o presenteou com um forte abraço, acompanhado pelo governador . Bela e autêntica cena.
Abaixo, "a melhor notícia" que um jornal de grande circulação pôde dar de uma página inesquecível da história da Rocinha

A matéria, escrita pelo jornalista Cássio Bruno, do Globo, se coincide com uma parte do discurso do presidente, que revelou secamente aos presentes que a imprensa não gosta de falar de obra inaugurada, só gosta de falar de desgraça ou de qualquer erro que se possa cometer. Nesse caso, o jornal sugere que a presença do vereador Claudinho da Academia no palanque é: COMPANHIA INDIGESTA. Ou seja, o Prefeito, o Governador, o Presidente da República e demais autoridades, erraram. Só o jornal acertou. Sozinho, acertou. Engraçado, como pode um jornal que lança uma campanha: "Nós e você. Já são dois gritando", desrespeitar a legitimidade das vozes que estão aprendendo a gritar, unidas. Só porque são vozes que ecoam do morro?! Talvez...
Ainda bem que as coisas estão mudando... Como disse o presidente Lula (realmente): "Tem gente que não gosta que a gente gaste o dinheiro do IPTU com os pobres"
EIS A MATÉRIA DO JORNAL O GLOBO COM O TÍTULO: Lula, Dilma e Cabral dividem palanque com Claudinho da Academia no Rio
RIO - Na cerimônia de lançamento do PAC da Rocinha, um dos convidados que estiveram no palanque, junto às autoridades, foi o vereador Luiz Cláudio de Oliveira, o Claudinho da Academia (PSDC), denunciado pelo Ministério Público por seus métodos de campanha na favela. A presença de Claudinho foi notada não apenas no palanque, mas também em dezenas de camisetas distribuídas por seus correligionários durante o evento. ( Leia também: Lula diz na Rocinha que bandidos também se escondem em prédios chiques de Copacabana )A camiseta - que na frente estampava os dizeres "Rocinha, Lula e Cabral contra a desigualdade social" e, atrás, a logomarca e o site do vereador - foi distribuída a quase todos os moradores presentes ao complexo esportivo. Além disso, um grupo de colaboradores, vestidos com a camiseta com o nome do vereador, também chefiou uma claque entusiasmada para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República. O governador Sérgio Cabral agradeceu a "presença dos líderes", entre eles Claudinho.
Denúncia por uso de violência para coagir eleitores na RocinhaClaudinho da Academia foi denunciado pelo Ministério Público em janeiro por "uso de violência e ameaça para coagir eleitores" na Rocinha , onde obteve 73% dos 11.513 votos que lhe garantiram uma vaga na Câmara Municipal. Na denúncia, enviada ao juiz da 211ª Zona Eleitoral, a promotora Isabella Pena Lucas descreveu uma reunião na quadra de futebol no alto do morro, na qual o chefe do tráfico local, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, teria determinado aos cerca de cem participantes que votassem em Claudinho e divulgassem a candidatura dele.
Realizada em julho, três meses antes das eleições de 2008, a reunião foi presenciada por dois cabos do Corpo de Bombeiros, que contaram o que viram à Polícia Federal. Segundo eles, o traficante Nem chegou à quadra no meio do encontro, sentou-se à mesa ao lado de Claudinho da Academia e, em tom ameaçador, disse que na Rocinha só havia um candidato. Ouvidos novamente pela promotora, os cabos do Corpo de Bombeiros confirmaram a versão do depoimento à Polícia Federal.
(Que implicância é essa!!!)
Fonte: Redação Rocinha.org - Ocimar Santos / Foto acima: Marcia Foletto - O Globo




