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Turismo: Ailton Macarrão fala da sua relação com a Rocinha
Esta coleção é produto do Projeto Memória de Habitantes, uma parceria entre a Universidade Popular Urbana, Aliança Internacional de Habitantes e o Museu da Pessoa. Este trabalho faz parte da preparação para a Assembléia Mundial de Habitantes que acontecerá no Fórum Social Mundial de Dakar em 2011
Turismo: Ailton Macarrão fala da sua relação com a RocinhaMinha família ajudou a fundar a Rocinha na década de 1950. O meu avô chegou naquela época em que ainda tinha terreno, tinha espaço. Então, a minha mãe se casou e teve os filhos. Fomos criados no esforço, com trabalho, na rua. A rua não era como é hoje, era mais sadia, não tinha tanta violência, tanta discriminação, tanto armamento. Você vivia como criança, à vontade, tinha espaço, mato, a gente tomava banho de cachoeira.
 
A Rocinha é igual a qualquer lugar, só que é um bairro popular. Eu não gosto de chamar a Rocinha de favela, a Rocinha não é favela, ela não tem característica de favela. Tem barracos? Tem, mas tem restaurantes bons, tem comércio farto, tem armazéns que funcionam com cartão de crédito, moderno, e tem armazéns em que você ainda anota no caderno, paga amanhã, aquela coisa familiar. Aqui é um bairro que tem de tudo, é só a pessoa se adequar. A Rocinha tem a sua energia. Você olha para o lado direito e tem São Conrado, praia, Mata Atlântica, prédios riquíssimos, milionários. A gente às vezes não valoriza o que tem do lado, se você quiser dar um pulo na praia, dar um mergulho, esfriar a cabeça, você pode ir agora, são cinco minutos a pé.
 
A Rocinha é um bairro que foi dividido e organizado pelo próprio povo. Com as obras do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], o governo veio e denominou oficialmente os sub-bairros. A Rocinha é um bairro que tem 27 sub-bairros, foi feito um censo. Eu participo como consultor voluntário. A minha empresa não trabalha para o PAC, eu participo das reuniões como morador.
 
Acredito que o turismo é fundamental para diminuir o desemprego. A Rocinha tem características muito boas para o turismo. Eu acho que “é o filé” para tirar muita gente do desemprego. Mas isso requer trabalho, união de lideranças, um projeto, governo e empresas. Tem que trabalhar. Vamos nos aliar, vamos ver o que você faz. Fala inglês? Fala espanhol? Não? “Então, vamos fazer um cursinho, aprender espanhol. É artesão? Então, vamos organizar uma feira.
 
Eu tenho um projeto, a primeira revista feita na Rocinha, estou divulgando a cultura, o lazer, os artistas. Eu nasci, cresci, me criei na Rocinha e o meu futuro está aqui, o meu futuro é poder falar das minhas ideias, das minhas crenças, ter a oportunidade de trabalhar no que se gosta, de acreditar no que se faz. Isso para mim é o futuro.
 
*Ailton é o atual presidente do Fórum de Turismo da Rocinha


Fonte: As Boas Novas.Com / Ailton Macarrão, da AM Consultoria e Marketing, compondo a nossa mesa e conversando sobre a época dos blocos na Rocinha (Foto: Ocimar Santos)
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