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Quarta, 17 de Dezembro de 2014
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População da Rocinha pode ter dobrado em dez anos
A Rocinha cresceu tanto que virou quase uma cidade. O levantamento que está sendo feito pelo governo do estado revelou que a população pode ter dobrado desde o último censo do IBGE, em 2000.
População da Rocinha pode ter dobrado em dez anos
Um mar de construções sobe e desce o Maciço da tijuca, entre a Gávea e São Conrado. A Rocinha é conhecida pelo tamanho e também pela mistura de origens, sotaques, culturas. “Eu sou de alagoas”, conta um garçom de bar. “Eu sou de Pernambuco”, diz a atendente de uma padaria.

No último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano de 2000, foram registrados na Rocinha 56.338 habitantes. O censo do governo do estado ainda está em fase de conclusão na favela. Mas os responsáveis pela contagem estimam que o número de moradores fique entre 95 e 100 mil. Se esse cálculo se confirmar, a população da Rocinha terá praticamente dobrado em menos de nove anos.

“A primeira coisa que tem que se levar em conta é que esses números diferenciados podem se explicar também por metodologias diferenciadas. Mas, certamente, está havendo um processo de crescimento bem maior do que a média da cidade. E isso é que tem que ser discutido”, afirmou um dos pesquisadores do censo.

O censo do estado contou, até o momento, 26.049 imóveis residenciais na Rocinha. São quase 10 mil a mais do que os 16.731 imóveis registrados pelo censo do IBGE, de 2000. Entre os imóveis, 7.150 são apartamentos. Quase o dobro do que o IBGE encontrou há nove anos: 3.611 apartamentos. E do total de imóveis residenciais, 33% são alugados.

“A Rocinha está densamente povoada. É uma especulação imobiliária muito grande, porque é uma área altamente valorizada. Nós estamos enfrentando essas questões. A gente sabe que existe essa especulação. Quando a gente der o registro, na titulação de posse, vai dar para nós detectarmos quem realmente está ali para morar e quem está ali para especular”, afirmou o vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão.

Há três meses, Selmita alugou um apartamento de dois quartos para morar com o filho Felipe. Fica na Estrada da Gávea, ponto nobre da Rocinha. O preço: R$ 450 por mês.

“É muito difícil alugar um imóvel na Rocinha. Em todas as imobiliárias, você tentava alugar uma casa, ou um apartamento, e não conseguia. Um amigo meu, que construiu esse prédio, alugou esse apartamento para mim. Mas foi muito difícil”, contou Selmita.

Na avaliação feita pelos moradores, nenhum serviço público tirou nota muito boa. De 0 a 10, abastecimento de água e fornecimento de energia elétrica ficaram com média 5,9. O índice de gatos nos dois serviços é quase igual: 6,7% na luz, e 6,1% na água.

Os moradores também demonstram preocupação com o escoamento do esgoto (nota 5) e da água da chuva (nota 4,8), coleta e tratamento do lixo (nota 4,6) e prevenção contra deslizamentos e incêndios (nota 3,9).

A Rocinha parece uma cidade dentro da cidade. É possível encontrar de tudo um pouco. Na Travessa Palmas, por exemplo, tem papelaria, loja de computadores, salão de beleza, loja de roupas, de bijuterias, um açougue, mercadinho e padaria. A comunidade tem também três agências bancárias. Resumindo: quem mora na Rocinha, faz tudo na Rocinha. “A rocinha é um mundo”, confirma um rapaz.

Até agora, o censo do governo do estado registrou 6.508 empresas ou empreendedores. Destes, 91% são informais e não pagam impostos. A maioria (76,2%) não tem interesse em registrar a firma, e 50,5% começaram o negócio porque estavam sem emprego.

Seu Silvano veio com a família do Ceará. Em 1998, ele abriu uma das 12 farmácias que, hoje, existem na comunidade. Desde o começo deu certo. “Hoje, está valendo a pena, mas estou trabalhando muito. Trabalho, em média, 16 horas por dia, de domingo a domingo”, conta Silvano.

O censo revelou um outro número que não chega a ser preocupante: o índice de solteirice. Do total, 51,5% dos moradores da Rocinha são solteiros. E eles confirmam: na Rocinha, tem muita gente solteira e muita gente à procura. “Elas só querem ficar. E que quero é para casar”, diz um morador, com um largo sorriso.

O próximo censo do IBGE, que vai avaliar a realidade da Rocinha mostrada na série, só será feito em 2010. A Secretaria Municipal Especial da Ordem Pública disse que tem atuado para reprimir as construções irregulares em toda a cidade do Rio de Janeiro, inclusive em comunidades como a Rocinha.


Fonte: RJTV
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