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Quarta, 16 de Outubro de 2019
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O homem que adoça a vida: a história do poeta Milton Moisés
Cordelista bonachão, sr Milton acaba de ganhar um documentário entitulado 'A Via d´Poesia'
  O homem que adoça a vida: a história do poeta Milton Moisés A banca de doces de Milton Moisés é também seu ateliê. Balas e pés de moleque dividem espaço com esculturas, pinturas e seu livro "Jardim do pensamento", o único até então publicado. A agitada Via-Ápia, principal rua da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro, é uma de suas fontes de criação. A vida e obra de Milton Moisés (seu pseudônimo) virou o documentário "A via dpoesia", de Hélio Rodrigues, que estreia como diretor, comparando Milton a Waly Salomão, poeta reconhecido como multicultural.

Produzido pela Saraváh Fimes, o curta-metragem, de 20 minutos, é filmado na Via-Ápia, e mostra a veia poética do escritor, pintor, escultor e cordelista de Seu Milton, como é chamado pelas crianças e por quem participa dos saraus de poesia dentro e fora da Rocinha. E agora também por quem for assistir ao documentário que, segundo ele, consegue mostrar sua vida e obra.

"Foi muito bom participar do filme. Achava que não ia conseguir falar nada. Foi tão espontâneo que eu não vejo no filme uma montagem, vejo uma realidade", diz Seu Milton, que nunca frequentou a escola formal.

Como um filme já visto, Seu Milton, vindo de Santa Quitéria, no Ceará, chegou à Rocinha em 1979, em busca de melhores condições de vida. Começou a escrever em 1997, pela forte influência da literatura de cordel. Perguntado como começou a fazer arte, ele, hoje com 75 anos, diz não se lembrar, e responde a altura de um poeta:

"Não sei como comecei, só sei que veio de dentro de mim. Quem ama a arte não sabe como acontece", acrescenta Milton, que em 2008 lançou o livro de poesias "Jardim de pensamento", resumido por ele como o resultado da observação da vida vista de dentro de seu pequeno comércio.

Comércio de seu Milton serve de "armazém cultural da vida"

Seu Milton elabora esculturas em metal, madeira e redesenha outros materiais e faz miniatura de bicicletas, aves, cestos e objetos de decoração que acabam despertando diversas interpretações. Ele diz que seu espaço comercial é a tradução fiel do seu "Armazém Cultural" de vida, que podem ser resumidas aos sons, cores e imagens da via movimentada.

"Tenho mais de 200 formas de textos que não dão para estarem em um livro. Tem que ser uns 3 ou 4. Tem cordel, conto, poemas e até um livro de autoajuda", diz. Para Hélio Rodrigues, Milton Moisés é um legítimo homem brasileiro, que extrai poesia da vida, além de trazer as características dos "discípulos de Waly Salomão".

Rodrigues diz que o formato de documentário é fundamental para o personagem falar, e acredita que o filme é diferente dos já produzidos, que dizem que é uma produção com a "voz da favela", mas que no fundo é por eles mesmos (os diretores). Ele compara cineastas para justificar o que está falando.

"(A via dpoesia) não é nada Cacá Diegues. É bem Glauber Rocha", traduz.

O diretor pretende exibir "A via dpoesia" tanto nas escolas como em pontos dentro da Rocinha, no intuito de, segundo ele, revitalizar uma união com todos os envolvidos com a cultura na Rocinha, pois acredita que "o filme é de poesia, política e fomento para desenvolver não só no cinema, mas estimular e reconhecer os que fazem algo", diz Rodrigues, que homenageia o também poeta Waly Salomão. TRAILLER



Fonte: Hélio Almeida / Foto: Reprodução
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