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A história da TV Tagarela da Rocinha
Inicialmente chamada de ASPA Vídeo, a TV Tagarela surgiu em 1997 formada por um grupo de dez pessoas que começou a desenvolver projetos voltados para a cultura, educação e cidadania
A TV Tagarela surgiu a partir de uma oficina de criação de vídeo oferecida aos jovens entre 14 e 18 anos da comunidade Rocinha pela Ação Social Padre Anchieta (ASPA), em 1997. A ASPA é uma instituição católica que atua na Rocinha desde 1963, promovendo cursos e projetos educacionais, culturais e sociais que possibilitam a inclusão dos moradores na sociedade. Após o término da oficina, os jovens se perguntaram: "E agora? O que vamos fazer com o conhecimento adquirido?" Até então, o objetivo da oficina era discutir questões ligadas à cidadania. Mas os jovens que participaram queriam algo mais e resolveram formar, em 1998, uma TV comunitária que viria a ser, hoje, a TV Tagarela. Inicialmente chamada de ASPA Vídeo, a TV era formada por um grupo de dez pessoas que começou a desenvolver projetos voltados para a cultura, educação e cidadania com os equipamentos financiados pela ASPA. Após as produções, esses vídeos eram transmitidos através de telões dentro da comunidade, caracterizando a TV Tagarela como TV móvel, de Rua. Com o passar do tempo, cada vez mais independente da ASPA, o grupo resolveu trocar o nome da TV, já que o anterior não atraía muito as pessoas e não dava visibilidade ao trabalho. Durante uma pesquisa no "Varal de Lembranças" - bazar de coisas antigas realizadas na Rocinha - acharam um jornal comunitário da década de 80 que se chamava Jornal Tagarela. Os jovens gostaram do nome e a ASPA Vídeo passou a chamar-se TV Tagarela. Em 2003, a TV Tagarela desvinculou-se de vez da ASPA. A separação trouxe algumas dificuldades, uma vez que não tinham recursos para as produções. A TV não contava com um espaço físico. Todo o material (microfone, acervo de fitas...) era espalhado pelas casas dos membros da TV. A TV comunitária mesmo assim continuou a produzir com a ajuda de outros grupos que emprestavam seus equipamentos para a realização do trabalho. Ainda em 2003, a TV adquiriu uma câmera digital-8 através de um projeto enviado para a FASE - Federação de Órgãos para Assistência e Educação. Foi quando puderam se dedicar mais à produção do filme Entre Muros e Favelas, uma parceria entre as TVs ATREVER, de Manguinhos; Tagarela, da Rocinha, e a ONG Alemã AKRRAK. O filme, que retrata a violência policial nas favelas do Rio de Janeiro, ganhou em 2005, o prêmio Jangada de melhor documentário média metragem etnográfico. Toda a trajetória da TV Tagarela é marcada por muita luta, resistência e também conquistas. No ano de 2004, eles enfim adquiriram um espaço físico para a sede e o funcionamento da TV. Na verdade, esse espaço é um andar de um prédio abandonado, que os membros da TV comunitária dividem com a Associação CACOC (Cultura, Arte e Comunicação Comunitária) da Rocinha, que desenvolve, entre outras coisas, o jornal comunitário Tá Dito. Neste mesmo ano, o grupo, para conseguir os equipamentos necessários para o funcionamento da TV, produziu dois vídeos comerciais: um para a Petrobras e outro para a Fiocruz. Com o dinheiro ganho, compraram materiais para a produção dos programas. A TV Tagarela conta ainda com a ajuda da FACHA (Faculdades Hélio Alonso), através do NECC (Núcleo de Educação De Comunicação Comunitária), desde a sua fundação. A FACHA disponibiliza cursos técnicos e bolsas de estudo do Curso Superior de Comunicação Social para que eles melhorem, a cada dia, o trabalho desenvolvido na comunidade e, também, para que tenham mais oportunidade na sociedade . Segundo os "tagarelas", a TV não quer institucionalizar-se, tampouco quer se transformar numa ONG. Quer continuar como um movimento e permanecer com os seus ideais intactos de mobilização e participação popular através da comunicação, com o objetivo de despertar o potencial dos moradores de uma determinada comunidade. Atualmente, a TV Tagarela produz vídeos, faz exibição de filmes, mantém um site próprio e promove eventos culturais na comunidade. A TV Tagarela, como uma TV de Rua, exibe seus vídeos em praças da comunidade, na maioria das vezes no Largo do Boiadeiro, famoso comércio da Rocinha. É considerado um ponto estratégico, uma vez que a maioria dos moradores passa por ele ao entrar ou sair da comunidade. Essas exibições são sempre feitas à noite, para ser possível a visualização do material transmitido através do telão. São veiculados filmes nacionais que tenham, de preferência, alguma relação com a comunidade da Rocinha, proporcionando o exercício da consciência crítica. O grupo mantém ainda o site http://www.tvtagarela.org.br, voltado para a comunidade e a TV, onde são disponibilizadas todas as suas produções. É esse o verdadeiro papel da comunicação comunitária: dar visibilidade aos moradores, ou seja, torná-los agentes do seu próprio "eu". Ela traz cultura, conhecimento e discute possíveis soluções para os problemas locais, esquecidos pela mídia tradicional. No caso da TV Tagarela, a transmissão não é feita por ondas que se propagam pelo ar e nem a cabo; é uma forma de comunicação híbrida, que mistura a imagem eletrônica com a presença física, como ocorre no teatro ou na comunicação oral. Essa mistura de uma forma moderna - a TV - com outra tão antiga quanto o teatro, mostra bem o papel de resistência cultural desempenhado pela comunicação comunitária em busca de uma real democratização.

Hélio Almeida, jornalista, morador da Rocinha e componente do Canteiro Social do PAC (Matéria publicada no Blog Mídia Alternativa em 25 de Abril de 2007)
ASSISTA MAIS UM VIDEO FINALIZADO PELA TV TAGARELA

 

SILICONE-BALA PERDIDA / Comercial satírico produzido para o espetáculo teatral Fragmentos da Roça. Realizado pela Escola de Música da Rocinha, dirigido por Flávia Melo. Elenco formado por atores da Cia de teatro Roçacaçacultura , gravado e finalizado pela TV Tagarela. Elenco: Davila Pontes, Lucas Valentim, Vitor Belfort e Sassá Bezerra; vozes: Lucas Valentim, Davila Pontes, Vitor Belfort, Flávia Melo e Livia Assis; músicos: Bruno Carvalho e Daniel Vinícius; câmera/edição/efeitos: Arley Macedo; produção: Flávia Melo.



Fonte: Hélio Almeida
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